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Sal e luz

Cardeal João Orani Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Uma vez concluída a etapa do ciclo do Natal, os nossos olhos se voltam para o ciclo pascal que se inicia com a Quaresma. Enquanto isso o tempo comum continua nos alimentar com a liturgia de cada dia e já chegamos ao 5º domingo desse tempo. A Liturgia tem nos apresentado frequentemente nos últimos domingos o tema da Luz, a Luz que é Jesus Cristo e que deve brilhar nos corações e nas vidas de todos os homens. Também neste Domingo, o quinto do Tempo Comum, quando vamos continuar a leitura do Sermão da Montanha, a partir do relato de São Mateus (no domingo anterior não lemos o início devido à festa da Apresentação do Senhor), a presença do simbolismo da luz vai se fazer notar. Na semana passada, quando tivemos uma celebração especial, com a Festa da Apresentação do Senhor, este foi apresentado como Luz para todas as nações, segundo a oração de Simeão. Neste domingo, o sermão da montanha prossegue apresentando sua proposta, mostrando quem é esse homem novo, este que acolhe Jesus Cristo, que vive caminhando com Ele e como este é chamado a viver neste mundo.

Somos convidados a ver este Novo Homem, que é chamado a seguir o Verbo que se fez carne e que é Luz para iluminar as nações. O Evangelho (Mt 5,13-16), contempla dois temas para nossa reflexão e para aprofundar nossa vivência do seguimento de Jesus: Vós sois o sal da terra e vós sois a Luz do Mundo. A Palavra de Deus vem nos apresentar uma nova perspectiva em relação à Luz do Mundo, que é Cristo: temos o chamado não só de sermos iluminados por Cristo, mas também de iluminar a vida das pessoas que encontrarmos e dos caminhos que trilharmos, não por nossa própria capacidade, mas deixando que a nossa configuração com Cristo produza isso em nós. Podemos utilizar a analogia da Lua: a lua não tem luz própria. Ela reflete a luz do sol. Assim nós Cristãos: seremos Sal da Terra e Luz do mundo a partir daquilo que a Graça de Deus realizar em nós. Só poderemos comunicar essa Luz se estivermos próximos dessa Luz e deixarmos que essa Graça transforme nossas vidas. Só assim daremos sentido à vida da sociedade: iluminando-a com a Luz de Cristo.

Quando olhamos para a outra imagem apresentada pelo Evangelho a imagem do sal: Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens (Mt 5, 13).

Isso nos recorda de que o sal serve para conservar e para dar sabor aos alimentos. Se a Igreja não assume continuamente sua missão de dar sentido e sabor à vida dos homens a partir da Herança de Cristo, não existe mais sentido em sua existência, vira uma mera instituição humana, uma ONG.

Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus (Mt 5, 14-16).

O Senhor nos dá uma grande missão que humanamente falando, não seríamos capazes de realizá-la. Mas, pela Graça de Deus e pela ação do Espírito, poderemos levar adiante a obra que o Senhor espera de nós e nos confia. Deus faz com que as coisas aconteçam em nossa vida, para que os homens de hoje e sempre percebam que a vida vale a pena ser vivida, quando ela tem sabor e é iluminada. Nossa missão evangelizadora está exatamente aí: não permanecermos escondidos, mas que sejamos comunicadores da boa-nova da salvação. A Igreja enquanto continuadora da Encarnação, vai espalhando as maravilhas de Deus em meio aos homens.

A palavra de Deus também nos fala, por meio da leitura do livro do profeta Isaías (Is 58, 7-10), que nossa vida precisa de gestos concretos, para que possa se tornar salda terra e luz do mundo:

Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui’. Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.

São apresentados gestos concretos de amor ao próximo, que manifestam a identidade dos bem-aventurados, daqueles que configuram suas vidas a Cristo. O que fizermos ao menos de nossos irmãos, estamos fazendo ao próprio Cristo. O Brilho da Luz de Cristo em nós vem como consequência de irmos ao Seu encontro na pessoa do pobre e do necessitado, é a consequência do Evangelho.

No refrão do salmo de resposta, salmo 11, assim proclamamos:

Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez. E o salmo continua dizendo: Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente.

A Palavra de Deus é muito clara para nós: somos chamados a seguir Jesus Cristo, viver uma vida de conversão e de fraternidade. É nossa missão sermos portadores do bem, já que são tantos os que conhecemos e que testemunhamos como semeadores do mal. É curioso observar que desde o início a Igreja teve uma tenção especial com os pobres e necessitados, sendo esta atitude consequência da ação da Graça em nós, consequência do amor de Deus para conosco.

A Carta de S. Paulo aos Coríntios (1Cor 2,1-5), segunda leitura deste domingo nos ilumina:

Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens.

O poder de Deus se manifesta e aparece na simplicidade de vida e na simplicidade das palavras. Que pela simplicidade de vida sejamos sal da terra e luz do mundo e que a Palavra de Deus permeie toda a nossa vida.

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O Direito humano: Direito à vida

Dom Antonio Carlos Altieri
Arcebispo Emérito de Passo Fundo (RS)

 

Cuidar com gestos e procedimentos que geram amparo e alívio ao doente.

A vida é um dom de Deus, e a ele cabe o poder de dá-la e tirá-la. Ao que se chama erroneamente de morte doce (eutanásia), nada mais é do que uma ideia irracional e eticamente reprovável. O verdadeiro direito humano é o direito da vida, e essa vida humana, como nos diz o Papa Francisco é “sagrada, válida e inviolável, e como tal, deve ser amada, defendida e cuidada”.

O momento da enfermidade é sempre um período de fragilidade e, muitas vezes, de solidão, em que a pessoa faz a dolorosa experiência da sua incapacidade, dos seus limites e também da finitude da vida. Embora seja sofrimento, o ensinamento cristão diz que, especialmente o sofrimento dos últimos momentos da vida, tem um lugar especial nos planos salvíficos de Deus; é de fato participar da Paixão de Cristo e a união com o sacrifício redentor que Ele ofereceu em obediência a vontade do Pai. Ou seja, aos enfermos, aceitar voluntariamente ao menos uma parte do sofrimento próprio de uma maneira consciente, e associá-lo ao sofrimento de Cristo crucificado (cf. Mt 27, 34).

A expressão morrer com dignidade (eutanásia) na verdade é bem resumida na Encíclica Evangelium Vitae como uma ação/omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte objetivando a eliminação do sofrimento. Do ponto de vista moral, a eutanásia é totalmente condenável, pois possui o fato de desviar a morte de seu curso natural antecipando a morte. E, levando em conta o que diz o Código de Ética Médica de 1931: “…um dos propósitos mais sublimes da Medicina é sempre conservar e prolongar a vida”. O enfermo tem o direito de prosseguir e aguardar o curso natural da vida. Por isso, não cabe a médicos, enfermos, nem a quem por direito são responsáveis deles, decidir quando e como se deve morrer.

Em cada visita realizada aos enfermos, é levada a misericórdia, mas ela não se realiza com palavras bonitas ou frases de efeito, ela é concreta e precisa ser exercitada. Nenhum equipamento eletrônico substitui um sorriso que devolve a alegria, um abraço que conforta, uma palavra que tranquiliza, uma oração que aumenta a fé, um olhar que dá esperança, um ouvido que escuta as dores e os medos. É o conforto e a assistência espiritual que devemos levar aos nossos irmãos, apoiando a cada um em seu momento de fragilidade. No leito de dor encontraremos o próprio Cristo sofredor: “Estive doente e me visitastes” (cf. Mt 25, 36). As pessoas

doentes devem ser amparadas para que possam levar uma vida tão normal quanto possível.

Por fim, como diz o Papa Francisco, a grande tentação hoje é de “brincar com a vida”, é um pecado contra Deus, o criador de todas as coisas. A morte não deve ser vista erroneamente, ela é um dom de Deus, e a morte é inevitável, e nem sempre representa o fracasso de um médico, fracasso é a morte desumanizada. Legítimo não é antecipar a morte, legítimo é morrer dignamente. A morte é o fim da nossa existência na terra, mas a passagem para vida imortal, e todos devem estar preparados para esse evento à luz dos valores humanos e à luz da fé. E para os que trabalham com a saúde, devem usar de todos os esforços defendendo a vida.

“Todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. (Mt 25, 40). Comprometida com os valores cristãos da solidariedade e humanização, a Pró Saúde realiza um conjunto de ações para valorizar o dom da vida em cada um dos seus mais de um milhão de atendimentos mensais. Entre elas, está a implantação da Pastoral da Saúde em todas as unidades gerenciadas nos 12 Estados brasileiros nos quais está presente. A Pró-Saúde, que tem em sua origem de fundação a Igreja Católica, preza por manter esse conceito de fé e amor ao próximo, que norteia nosso trabalho desde sempre.

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Chuvas e enchentes em MG e ES: dom Vicente lamenta por sofrimento socioambiental

As consequências das chuvas e enchentes na região Sudeste do Brasil, em particular nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, já atingiram mais de 67 mil pessoas, em mais de 200 municípios. Até o momento, de acordo com a Defesa Civil, 58 pessoas morreram em Minas Gerais e nove no Espírito Santo. Em entrevista ao Portal da CNBB, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e membro da Comissão Especial sobre Mineração e Ecologia Integral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dom Vicente de Paula Ferreira falou sobre a necessidade de assumir a proposta de ecologia integral presente na encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco.

 

Minas Gerais Espírito Santo
45.390 desalojados 12.735 desalojados
9.267 desabrigados 2.030 desabrigados
58 mortos 9 mortos
67 feridos 10 feridos
196 municípios em situação de emergência 30 municípios afetados
TOTAL:
54.782 atingidos
TOTAL:
14785 atingidos
Fontes: Defesa Civil de MG e ES

 

Prefeitura de Belo Horizonte faz limpeza nas ruas da cidade por causas das fortes chuvas na capital mineira | Foto: Secom/Prefeitura BH

Para dom Vicente, o acompanhamento às consequências das chuvas “é mais um sofrimento socioambiental que a gente tem vivido”. O bispo vê como paradoxal a espera pelas chuvas, “mas a falta de cuidado com a casa comum”, que “acaba trazendo problemas sérios, inúmeros desabrigados, um número muito alto de mortes”, problemas recorrentes na região no período de chuvas.  Dom Vicente ainda chama atenção para o agravamento do cenário com a lama que desce com as enchentes carregada de produtos tóxicos.

Recordando a celebração dos cinco anos da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, no próximo mês de maio, “que constata que vivemos uma aguda crise socioambiental na humanidade”, dom Vicente sublinha que as nossas cidades são construídas em cima de rios e ninguém esperou pela reação da natureza: “A gente costuma dizer no meio da psicologia: ‘ninguém consegue recalcar a natureza, abafar a natureza, ela tem uma força própria’. Se a gente não a considera, ela vai voltar-se contra a gente”.

O bispo reforça a importância de “levar a sério o projeto da Laudato Si’ e, ao mesmo tempo, pedir às autoridades, criar uma consciência coletiva dentro e fora da Igreja que nós estamos nos organizando enquanto sociedade muitas vezes em cima de futuros problemas”, como revelam os projetos e intervenções em muitas cidades Brasil afora que desconsideram medidas de segurança ao erguer suas estruturas, como já foi alertado em estudos da CNBB e em oportunidades de reflexão sobre a cidade como o 14º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Relação fé e vida

Dom Vicente Ferreira | Foto: CNBB/Caio Lima

Dom Vicente concorda que há certa rejeição em olhar para a realidade social por parte dos católicos no Brasil. “Eu considero um dos problemas mais graves, isso já foi constatado pela nossa Teologia Católica, a esquizofrenia e a separação entre a fé e a doutrina e a inserção na vida”. O bispo chama atenção que o Evangelho de Jesus tem um chamado para que os fiéis sejam sal da terra e luz do mundo, “para iluminar a cultura, iluminar a sociedade, para transformar em nome de um Deus da vida, que é o Deus de Jesus Cristo. Resumidamente, a gente fala em construir o Reino de Deus, que é reino de justiça, de paz, dignidade para todos”. Numa “sociedade que causa morte na forma de a gente lidar com a natureza” é preciso uma intervenção missionária, segundo dom Vicente.

Esta interligação tem que entrar em nosso processo de evangelização. O católico, infelizmente, e até com alguns grupos, que tendem muito mais à alienação, consideram que fé é se restringir ao interior de um dogma, de uma crença para dentro de uma Igreja e não consegue olhar para a globalidade de a vida humana e do planeta. E a Teologia, Eclesiologia, a nossa fé cristã nos ensina a ser cristãos no mundo”.

Prefeitura de Belo Horizonte (MG) faz limpeza nas ruas da capital mineira | Foto: Rodrigo Clemente/Fotos Públicas

A missão, um dos quatro pilares da proposta da CNBB para as comunidades eclesiais missionárias, é uma ação de interferência no modo que se conduz a vida, sugere dom Vicente.  “E onde há morte, onde a gente está produzindo uma cultura de morte, nós temos que evangelizar para que a gente transforme em vida. Por isso, temos que tomar cuidado com esse perigo de uma fé muito revestida de um certo fanatismo, inclusive, que não nos abre para o diálogo conosco, com os outros, com o mundo e, talvez, muito menos com Deus, porque o nosso Deus é o Deus da vida, o Deus da criação que é comunhão”.

Se a gente não cuida dessa comunhão entre nós e com o mundo em que nós vivemos, como daremos testemunho de nossa fé e de que fé estaremos dando testemunho?

Auxiliar e envolver-se

Dom Vicente Ferreira, demonstra-se feliz com as ações de caridade que a Igreja tem protagonizado nesses momentos de tragédias. No caso específico das chuvas em Minas Gerais e Espírito Santo, paróquias e comunidades têm se mobilizado para acolher e ajudar os afetados. “A Igreja é doutora em caridade”, afirma.

Entretanto, é necessário algo mais: “não basta essa caridade imediata, a gente também tem que perguntar pelas causas disso tudo”. Segundo dom Vicente, se a pessoa tem “uma forma de vida que mata”, quando ajuda imediatamente com a caridade, na hora do luto, tem uma ação confortável. “Mas quando a gente começa a perguntar ‘quem matou?’, ‘porque?’. Aí já começa a complicar a nossa vida, inclusive as perseguições, as indagações, porque o profetismo é o amparo imediato, mas também é a denúncia para que a gente possa transformar a nossa realidade”, exorta.

Não basta só ajudar imediatamente, o que é fundamental, mas é preciso procurar o que está trazendo esses danos para que a gente possa buscar medidas de mudança e de transformação da nossa sociedade à luz, é claro do Evangelho de Jesus”.

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